Análise: Com Evo, Bolívia teve o maior crescimento econômico da América do Sul e de sua história (4,9% ao ano)

 

(Elaborado com algumas informações do texto originalmente publicado por Fabiano Maisonnave, da Folha de São Paulo)

PARA OS SEM-MEMÓRIA

Evo chegou à presidência em 2006. A Bolívia atravessava mais um ciclo de instabilidade política e convulsão social, simbolizada pelos protestos que levaram à renúncia do presidente conservador Gonzalo Sánchez de Lozada, o “Gringo”, em 2003. Evo nacionalizou o gás natural, principal produto da economia boliviana. Conseguiu firmar acordos, inclusive com o Brasil, que asseguraram um aumento expressivo da arrecadação e o boom econômico dos anos seguintes.

Ao contrário de Hugo Chávez, Evo soube administrar a renda do gás. De 2006 até o ano passado, o PIB da Bolívia cresceu, em média, 4,9% ao ano. Para 2019, a projeção do FMI é de 4%. O Brasil de Paulo Guedes, por exemplo, vai crescer só 0,9%, ou seja, 1/4 do crescimento da Bolívia. A inflação na Bolívia gira em torno de 3% ao ano. Poucos países do mundo ostentam resultados tão bons nesse período. Evo conseguiu reduzir a pobreza no país quase à metade, de 60% para 34% em 13 anos de governo, segundo cálculo do Banco Mundial.

Todo esse legado, no entanto, foi colocado em risco com a insistência de permanecer no poder, seguindo o caminho de Chávez, Alberto Fujimori e outros.

O auge desse atropelo foi ter ignorado o resultado do referendo de 2016, em que a população boliviana foi às urnas para dizer a Evo que não queria que ele tentasse um quarto mandato consecutivo.

Sem o respaldo da consulta, a sua candidatura neste ano só foi possível graças à ingerência governista no Tribunal Constitucional e no Tribunal Supremo Eleitoral (TSE). De árbitro, o Judiciário boliviano passou a ser braço auxiliar de Evo. As ruas, nos últimos dias, deixaram claro que a estratégia não colou.

A crise que levou à queda de Evo se originou na apuração dos votos da eleição presidencial  no dia 20 de outubro.  Havia um método mais rápido e preliminar de apuração, e um outro, definitivo e mais lento, onde se conta voto a voto. Os números dessas duas contagens começaram a divergir, e a apuração mais rápida, que indicava que haveria um segundo turno, foi suspensa. A partir daí os protestos começaram até o desfecho do golpe militar deste domingo, 10/11/2019.

Dono de considerável capital político e ainda com 60 anos, o agora ex-mandatário boliviano continuará tendo papel importante nos rumos do país. Haverá um contra-golpe? É difícil imaginar que um sujeito que tem tamanho capital político, de no mínimo 40% da população, será rifado desta forma sem reação da sociedade. A possibilidade de guerra civil é elevada.

Será possível restabelecer as bases para a democracia novamente, uma vez que a oposição parece ser irracional e inescrupulosa, e Evo também cometeu erro grave ao não respeitar o resultado do referendo de 2016?

A ver.

 

morales

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